Um estudo epidemiológico sobre a fobia dental

Gustavo J. Fonseca D’El Rey, Carla Alessandra Pacini

Resumo

Este estudo relata a prevalência, características clínicas, procura de tratamento em saúde mental e o impacto nas consultas odontológicas da fobia dental em uma amostra da comunidade de Moema na cidade de São Paulo-SP. A Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV (2.0), com questões sobre ir ao dentista, foi administrada à 756 sujeitos. A prevalência da fobia dental ao longo da vida foi de 2,8% e aproximadamente 86% (ou 2,4% da amostra total) ainda apresentava sintomas fóbicos nos últimos 12 meses. A média da idade de início da fobia foi de 12 anos. A prevalência deste tipo de fobia foi maior em mulheres, pessoas de raça negra e com baixa escolaridade. Nenhuma pessoa relatou especificamente tratamento em saúde mental para a fobia dental. Pessoas com fobia dental demoram em média o sêxtuplo de anos para consultar um dentista (19 anos) em comparação com pessoas sem este tipo de fobia (03 anos).
Palavras-chave: fobia, fobia dental, epidemiologia, prevalência.

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