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Indicadores para monitoramento dos serviços de saúde bucal na atenção primária: validação de conteúdo e mensurabilidade

Crédito da foto: Agência Alagoas

A avaliação e o monitoramento dos serviços de saúde bucal na Atenção Primária à Saúde são ferramentas fundamentais à consolidação de políticas públicas mais eficazes e equitativas. Um estudo recente, desenvolvido no contexto do MonitoraSB, um projeto construído por pesquisadores da Faculdade de Odontologia da UFMG, formulou um conjunto de indicadores para monitorar e qualificar os serviços de saúde bucal no Sistema Único de Saúde. Publicado recentemente na renomada revista “Ciência & Saúde Coletiva”, a pesquisa representa um avanço estratégico para a saúde coletiva brasileira.

Uma Matriz de Indicadores para a Saúde Bucal na APS

A equipe do MonitoraSB propôs uma matriz que compreende 68 indicadores, organizados em subdimensões essenciais à avaliação dos serviços de saúde bucal, como acesso aos serviços, vigilância, diagnóstico e tratamento, prevenção, ações intersetoriais e processos de trabalho. 

A validação dos indicadores foi conduzida por um painel diversificado, composto por 46 especialistas em saúde pública, odontologia e gestão. O processo ocorreu por meio do método e-Delphi, uma técnica estruturadora de consenso, e envolveu múltiplas rodadas de questionários entre os especialistas, resultando no refinamento progressivo das respostas e equalização das opiniões. O método legitimou a validade dos indicadores apresentados no estudo e sua aplicabilidade na realidade do SUS.

Dos 68 indicadores propostos, 53 demonstraram viabilidade de mensuração a partir de dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), apontando para a possibilidade de uma avaliação concreta do desempenho das Equipes de Saúde Bucal. Métricas como a proporção de gestantes atendidas na atenção odontológica, taxa de atendimentos de urgência e cobertura de atividades preventivas e promocionais estão incluídas na matriz.

Desafios e Oportunidades na Implementação

Apesar do avanço significativo, o estudo identificou desafios importantes na coleta e qualidade dos dados. Algumas áreas, como o monitoramento da oferta de próteses dentárias e de procedimentos voltados às populações com necessidades especiais, carecem de registros padronizados e completos.

A avaliação dos serviços públicos de saúde tem sido um desafio histórico para gestores e pesquisadores, e a saúde bucal não é exceção. No Brasil, a Política Nacional de Saúde Bucal estabelece diretrizes para monitoramento da atenção odontológica no SUS, mas lacunas ainda persistem. “A fragmentação dos sistemas de monitoramento e a ausência de indicadores robustos dificultam a tomada de decisão baseada em evidências”, explica Raquel Conceição Ferreira, professora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora principal do estudo. “Nosso objetivo foi criar um ferramental que permitisse uma avaliação mais abrangente e perene dos serviços de saúde bucal na APS, auxiliando na qualificação das políticas públicas”, destaca Ferreira.

Impacto e Perspectivas

O avanço tecnológico acarretado pelos resultados da pesquisa  consolida-se como uma contribuição relevante à qualificação da atenção odontológica no SUS, promovendo um sistema de saúde mais equitativo, resolutivo e alinhado às necessidades da população brasileira. Ao oferecer uma ferramenta objetiva para monitoramento, os gestores municipais e estaduais podem identificar desigualdades regionais, avaliar a efetividade das intervenções e planejar estratégias baseadas em dados concretos. A utilização da matriz de indicadores pode fortalecer o processo de tomada de decisão na saúde bucal e contribuir para a redução das iniquidades no acesso aos serviços.

Para mais informações, acesse o artigo em:

https://doi.org/10.1590/1413-81232025302.088702023

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